Desafiador do Desconhecido

Desafiador do Desconhecido

"Fui chamado para interpretar Flávio Bolsonaro"

Ator fala sobre a oferta para trabalhar em “Dark Horse”, filme alvo de suspeitas após reportagem do “The Intercept” revelar a possível origem do financiamento.

Rodrigo Salem's avatar
Rodrigo Salem
May 22, 2026
∙ Paid
Imagem: divulgação/reprodução

Nesta edição:

  • “Dark Horse”, um filme sob suspeita

  • Quem é Jim Caviezel, o ator no papel de Jair Bolsonaro

  • Caviezel não viverá Jesus na sequência de “A Paixão de Cristo”

  • Ator já promoveu teorias conspiratórias do QAnon

  • Os irmãos Nolan trabalharam com cada peça

  • Relato pessoal de um ator que foi chamado para viver Flávio Bolsonaro

  • Nova série da Netflix é “Stranger Things” com idosos

  • Música da semana


Em junho do ano passado, um amigo que trabalha na indústria cinematográfica me passou uma dica de pauta sobre um projeto de filme no Brasil que estaria sendo financiado pelo braço midiático da ultradireita norte-americana.

Obviamente, sem recursos e morando em Los Angeles, perseguir uma pauta dessas seria quase impossível para mim — ainda mais com uma informação tão embrionária. Passei a dica para um jornalista investigativo de primeira linha, um amigo desde os tempos da “Folha de S.Paulo”.

Ele achou o mesmo: era tudo muito vago para correr atrás naquele momento, mas disse que ficaria de olho.

Meses depois, surge a notícia de um filme dramático sobre Jair Bolsonaro, ex-presidente que está preso atualmente por uma tentativa de golpe de Estado após sua derrota nas urnas para o atual presidente, Luís Inácio Lula da Silva.

Eis o filme.

A dica de pauta que recebi era muito maior do que minha fonte suspeitava.

Ainda não sabemos todas as origens do dinheiro que financia “Dark Horse”, longa que sairia, em tese, um mês antes das eleições presidenciais no Brasil.

Mas o “The Intercept” encontrou parte do nascedouro desse financiamento.

Em um furo bombástico de reportagem, os sete repórteres divulgaram um áudio de Flávio Bolsonaro, um dos filhos de Jair, pedindo US$ 24 milhões para Daniel Vorcaro, controlador do (agora liquidado) Banco Master e envolvido em fraudes financeiras que podem chegar a R$ 50 bilhões.

Segundo a reportagem, Vorcaro foi preso no dia seguinte à conversa com Flávio Bolsonaro, mas o “The Intercept” teve acesso a documentos que indicariam que pelo menos US$ 10 milhões teriam sido repassados no início de 2025 para financiar o longa que trata Jair Bolsonaro como um herói injustiçado após levar uma facada durante as eleições de 2018 e, segundo a narrativa do filme, vencer “as forças do mal” ao ser eleito presidente do Brasil, em meio às ladainhas messiânicas comuns a políticos ultradireitistas.

Não é uma estratégia nova — e nenhum dos nomes envolvidos surpreende quem acompanha o cinema.

O roteiro é de autoria do ex-ator Mário Frias, deputado federal do PL paulista e ex-secretário da Cultura no governo Bolsonaro, em parceria com o diretor Cyrus Nowrasteh, conhecido nos EUA por produções de cunho religioso conservador.

No papel de Jair Bolsonaro, a pérola: Jim Caviezel.

O americano ganhou a alcunha de astro hollywoodiano, mas vamos com calma.

Quem é Jim Caviezel?

This post is for paid subscribers

Already a paid subscriber? Sign in
© 2026 Salem · Privacy ∙ Terms ∙ Collection notice
Start your SubstackGet the app
Substack is the home for great culture