Desafiador do Desconhecido

Desafiador do Desconhecido

Gol contra!

Minissérie “Brasil 70: A Saga do Tri” perde a chance de mergulhar na relação entre política e futebol, entrega um drama caricato e investe em um visual de comercial de banco.

Rodrigo Salem's avatar
Rodrigo Salem
Jun 04, 2026
∙ Paid

O ufanismo (ou pachequismo) que impera durante a Copa do Mundo é tão compreensível quanto detestável.

Adoro o evento. Quando mais novo, queria viajar para acompanhar a seleção em algum país bacana. Durante a Copa, passo o dia com a televisão ligada em algum jogo, sempre torcendo para algum azarão derrotar uma seleção poderosa.

Diabos, corro todos os dias ouvindo mesa-redonda de futebol, um vício mais nocivo que o do álcool e do tabagismo.

Costumo dizer que boa parte da empolgação com a seleção brasileira morreu em 1982, quando chorei minha primeira decepção futebolística na casa da minha avó, no bairro do Alecrim, em Natal. Testemunhei um povo inteiro ferido quando caminhei para a calçada, sentei no meio-fio e vi, no meio da fumaça das fogueiras semiapagadas do São João nordestino, homens décadas mais velhos que eu caminhando lentamente na rua com o olhar vazio e as bochechas molhadas.

É do jogo.

Claro que fiquei bêbado em 1994, celebrando com os amigos na praia de Tambaú, em João Pessoa, onde estudava jornalismo. Mas não era mais a mesma coisa. Faltava algum encanto.

Mas, diante de uma seca de 24 anos, “Copa não se joga, se ganha”.

E parece que esse foi o ditado que moveu a produção de “Brasil 70: A Saga do Tri”, minissérie da Netflix em cinco episódios sobre a campanha do tricampeonato da seleção brasileira, conquistado no México: não há a menor sofisticação artística na obra, mas apenas a preocupação de chegar ao fim e lançar de qualquer maneira.

This post is for paid subscribers

Already a paid subscriber? Sign in
© 2026 Salem · Privacy ∙ Terms ∙ Collection notice
Start your SubstackGet the app
Substack is the home for great culture